O estudo feito na Coreia do Sul, com 91 pacientes, registrou apenas 2 casos graves da doença. Mesmo assim, nenhum deles precisou de ventilação mecânica (intubação).
Uma outra pesquisa, feita em um hospital infantil em Nova York e publicada em junho, analisou 50 crianças e adolescentes com idade até 21 anos e constatou que:
4) Crianças podem morrer de Covid-19?
Sim, mas o risco é muito baixo.
Os cientistas britânicos classificaram a morte por Covid-19 em crianças como “excepcionalmente rara”. Eles tinham dados de 69,5 mil pessoas internadas em 260 hospitais britânicos até o dia 3 de julho (as crianças e adolescentes analisados estavam incluídos nessa população). Na população em geral, com idades entre 0 e 106 anos, a mortalidade foi de 27% (18,8 mil pessoas morreram).
Considerando somente as crianças e adolescentes com idade entre 0 e 19 anos, esse índice foi de 1% (houve 6 mortes entre os 627 pacientes para os quais havia resultados disponíveis).
No estudo coreano, com 91 crianças e adolescentes, nenhuma delas morreu. Na pesquisa no hospital de Nova York, com 50 pacientes, um morreu.
No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, 821 crianças e adolescentes (de 0 a 19 anos) morreram por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) causada pela Covid-19 (veja gráfico) até o dia 5 de setembro. Outros 74 casos ainda estavam em investigação.
O número representa 0,67% do total de mortes registradas pela pasta até aquela data (122.772, número ligeiramente menor que o levantado pelo consorcio de veículos de imprensa do qual o G1 faz parte).
5) As crianças têm menor quantidade de vírus (carga viral) no corpo que os adultos?
Não necessariamente. Em um estudo publicado em 20 de agosto, pesquisadores dos Estados Unidos constataram que crianças com a Covid -19 internadas em uma UTI tinham maior carga viral do que adultos hospitalizados.
As maiores quantidades de vírus foram encontradas nos pacientes com idades entre 11 e 16 anos, segundo o estudo. A pesquisa considerou como “crianças” todos aqueles com idade entre 0 e 22 anos, mas não especificou a idade dos adultos que foram analisados.
Crianças e jovens têm carga viral superior à de adultos hospitalizados, diz estudo dos EUA
Quanto maior a carga viral, maior é a capacidade que uma pessoa tem de transmitir a doença. Até agora, ainda não se sabe o quanto as crianças conseguem transmitir a doença – mas já se sabe que elas são capazes disso, explica Artur Delgado, da USP.
A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que crianças acima dos 2 anos de idade usem máscaras sempre que possível, para evitar a transmissão da doença. (Veja as recomendações completas).
O potencial de transmissão infantil foi um dos pontos levantados pelos cientistas coreanos como uma limitação da pesquisa deles. Essa limitação ocorre por um motivo: o rastreio de pessoas infectadas é bastante eficaz na Coreia do Sul (o que permitiu, inclusive, que encontrassem crianças com o vírus antes de elas desenvolverem os sintomas da Covid-19); uma vez que essas pessoas são encontradas, elas são mantidas em quarentena rígida, para evitar que contaminem outras. Por isso, fica mais difícil determinar quantas pessoas uma criança conseguiria infectar.
6) Por quanto tempo o vírus fica no corpo das crianças?
Ainda não há uma resposta exata. No estudo coreano, com 91 crianças e adolescentes entre 0 e 19 anos, os pesquisadores constataram que, de forma geral, o vírus ficou detectável por uma média de 17,6 dias nas crianças. Nos casos assintomáticos, esse tempo foi de 14,1 dias.
Uma outra pesquisa, feita no Children’s National Hospital, na capital dos Estados Unidos, apontou que pacientes de 6 a 15 anos demoram mais tempo para eliminar o vírus (32 dias) quando comparados a pacientes de 16 a 22 anos (18 dias).
As meninas na faixa etária de 6 a 15 anos também demoraram mais que os meninos (média de 44 dias para as meninas e 25,5 dias para os meninos).
A mesma pesquisa também encontrou 33 crianças que tiveram resultados positivos tanto para a presença do material genético do vírus como para os anticorpos contra ele.
7) Por que as crianças tendem a ser menos afetadas?
Crianças correm mais risco de se contaminar em casa do que na escola, diz estudo inglês
A ciência ainda não sabe – mas já existem hipóteses.
Um estudo publicado no dia 3 de setembro no periódico científico “PNAS” (Proceedings of the National Academy of Sciences) levantou as seguintes possíveis explicações para isso:
- ACE2 (enzima conversora de angiotensina) é reduzida no trato respiratório das crianças
Tanto o primeiro vírus Sars (Sars-CoV-1) quanto o vírus SARS-CoV-2 ligam-se à enzima conversora de angiotensina 2 (ACE2). Segundo o estudo, a expressão de ACE2 aumenta com a idade no trato respiratório. Por isso, é reduzida nas crianças.
- O coronavírus associado a resfriados comuns em crianças pode oferecer alguma proteção
Estudos mostram que crianças com menos de dois anos têm cinco ou mais infecções respiratórias por ano e passam cerca de 44 dias com doenças respiratórias superiores leves. A imunidade adaptativa aos resfria-os comuns pode fornecer alguma proteção contra infecções microbianas, incluindo o Sars-CoV-2.
- As respostas imunes do Th2 são protetoras em crianças
Citocinas produzidas pelas células Th2 ajudam a ativar células B, resultando na produção de anticorpos. As citocinas são proteínas produzidas pelas células em resposta ao processo inflamatório.
- A eosinofilia, associada ao Th2, pode ser protetora
A eosinofilia, na maioria das vezes, tem relação com processos inflamatórios. A inflamação de Th2 pode predispor o indivíduo a experimentar melhores resultados de Covid-19, por meio de uma diminuição nos níveis de ACE2 nas vias aéreas.
- Crianças geralmente produzem níveis mais baixos de citocinas inflamatórias
Crianças produzem níveis reduzidos de citocinas inflamatórias nas células pulmonares e isso pode reduzir a chance de um fenômeno chamado de “tempestade de citocinas”, quando há descontrole na resposta imunológica.
Até agora, as crianças têm sido protegidas de casos mais graves de coronavírus. Segundo o órgão de controle e prevenção de doenças americano (CDC), desde 1º de março de 2020, foram 576 hospitalizações pediátricas associadas ao coronavírus. Estudos da China, Itália, Espanha e América do Norte também indicam que as crianças são hospitalizadas com menos frequência do que os adultos, e muitas das internações ocorreram porque esses pacientes já tinham problemas pré-existentes.
Pesquisadores dizem que descobrir o motivo de as crianças serem menos propensas a desenvolver Covid-19 (embora a taxa de infecção seja semelhante à de adultos) pode oferecer pistas produtivas para conter e erradicar a transmissão do vírus.
Fonte da noticia:
https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/09/15/criancas-e-covid-19-veja-em-7-pontos-sobre-o-que-a-ciencia-ja-sabe-sobre-o-tema.ghtml
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