Para o retorno às aulas, todas as turmas também foram divididas em blocos A e B, que frequentam as escolas de maneira intercalada:
Alunos comemoram retorno e ‘patrulham’ colegas
A estudante Mônica Fernantes, de 17 anos, cursa o 3º ano do ensino médio. Ela disse que acompanhava o Aula em Casa, mas sentia dificuldades em assimilar os conteúdos. Agora, com a aula presencial, Mônica está revisando as matérias.
“Foi bem produtivo [o programa de aulas on-line e pela TV]. Mas não se compara a aula presencial. Fiz os exercícios, tentava participar, assistir a todas as aulas, mas não entendia a maioria do conteúdo. Com a volta, os professores estão fazendo revisão”, explicou a estudante.
A estudante Lissandra Tavares, da Escola Estadual Professora Ruth Prestes Gonçalves, também achou positivo o retorno. No entanto, ela não se sente segura em frequentar todos os espaços do ambiente escolar.
“Evito aglomerações. Não entro no refeitório, por exemplo. Prefiro pegar a merenda e ficar isolada em um cantinho ou na praça da escola, que é ao ar livre, do que ficar dentro. Me sinto mais segura”, contou a jovem.
Segundo a estudante Waleska Nascimento, de 17 anos, também do terceiro ano do ensino médio, dentro da escola todos os alunos seguem os protocolos sanitários. Mas, do lado de fora, alguns cuidados são deixados de lado.
“A gente evita o máximo as aglomerações. Quando alguém sai do X que marca o local onde a gente deve sentar, a gente já chama a atenção. Do lado de fora, não funciona muito, afinal, é aluno, né?! Alguns tiram a máscara, ficam conversando perto, mas eu sigo com cuidados”, relatou.
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Salas de aula estão com a capacidade reduzida. — Foto: Matheus Castro/G1 AM
Pais temem alunos no transporte coletivo
Para alguns pais, a preocupação vai além da reposição do conteúdo. A dona de casa Viviane Costa, de 38 anos, tem um sobrinho matriculado no 2º ano do ensino médio aponta que o transporte coletivo é um dos problemas a serem enfrentados.
“Infelizmente, a Seduc não está nem aí. Não quer saber quem anda de ônibus, se o ônibus está lotado e se os alunos podem se contaminar. Meu sobrinho vinha de ônibus. Ele contava que era lotado e que não tinha como fazer o distanciamento. A mãe dele teve que ir na escola e assinar um termo dizendo que ele ficaria de casa, porque não tinha condições”, reclamou.
Outra mãe ouvida pelo G1 e que preferiu não se identificar afirmou que, apesar do retorno, nem todas as aulas estão sendo ministradas.
“Eles contam que passam vários tempos [períodos] sem aula, que os professores não vão para sala. E isso é muito chato, porque a gente gasta dinheiro com transporte, com alimentação, para chegar lá e não ter aula? É complicado, né?”, contou.
Professores citam sobrecarga e medo de contaminação
No dia 10 de agosto, 4.520 mil professores voltaram às 123 escolas da rede estadual.
Professores relataram medo apesar das medidas de segurança adotadas. Um profissional de uma escola da Zona Centro-Sul da capital, que não quis ser identificado, relatou que a unidade segue todos os protocolos repassados pela Fundação de Vigilância e Saúde (FVS), mas nem sempre os estudantes cumprem com todas as determinações, o que torna o ambiente escolar perigoso. Ele afirma que é comum alunos serem flagrados aglomerados entre um tempo de aula e outro.
“Vou para sala preocupado e tento tomar todas as medidas possíveis. Sempre estou limpando as mãos, não tiro a máscara, levo minha água, não tomo a água da escola. Se eu quiser comer alguma coisa, levo de casa, não uso mais o banheiro. Estou tentando evitar. Mas eu vou para a sala com medo”, disse o professor.
Outra professora de uma tradicional escola do Centro de Manaus contou que o trabalho triplicou no retorno presencial.
“A gente trabalha na escola, com medo. Aí, quando chega precisamos ir para o ambiente virtual acompanhar os alunos que assistem as aulas por lá. Ou seja, triplicou o trabalho”, afirmou a professora.
Segundo ela, seis professores da escola onde ela trabalha testaram positivo para a Covid-19. E todos tiveram contato com outros professores, funcionários e alunos.
“Tentamos fazer um café da manhã de retorno e tinha um professor que estava sem máscara, conversando com todo mundo – e, na semana seguinte, testou positivo. Ou seja, ele pode ter contaminado outros tantos. Tanto é que na semana seguinte teve mais um caso de infecção e assim foi. Hoje, já são seis professores e três alunos.”
O aumento de casos positivos entre os professores levou o governo a suspender o retorno das aulas do ensino fundamental, que estava marcado para 24 de agosto. Até a última atualização desta reportagem, não havia previsão de retorno. Também não havia prazo para retorno da rede estadual no interior.
Professores fizeram protestos contra a retomada
https://globoplay.globo.com/v/8828967/
Em Manaus, sindicato ocupa sede da secretaria de Educação do Amazonas
Um dia após o retorno das aulas, uma professora da Escola de Tempo Integral do Céu, na Zona Norte de Manaus, testou positivo para o novo coronavírus .Três dias depois , já quatro escolas fechadas para desinfeção, após professores apresentarem casos da doença.
Um grupo de professores do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (Sinteam), da rede estadual, chegou a ocupara a sede da secretaria de estado de Educação e Desporto (Seduc – AM) em 2 de setembro (veja mais no vídeo acima).
Eles denunciavam a falta de atenção às pessoas que tiveram contato com professores infectados e cobravam uma audiência com o secretário da pasta, Luiz Fabian, para falar sobre o cenário a que estão expostos nas escolas. Após pernoitarem no local, eles conseguiram uma reunião entre representantes do órgão e a categoria para esta quarta-feira (9).
Além disso, a categoria também faz protestos diariamente contra o retorno das aulas presenciais. Na sexta-feira (4), ocorreu um ato em frente a sede do Governo do Amazonas e da Assembleia Legislativa.
Governo diz não haver surto entre alunos e professores
O governo afirma que não há surto de casos entre alunos e professores e que há protocolos estabelecidos em caso de um educador ser diagnosticado com a Covid-19, como afastamento imediato.
Quanto à dificuldade dos alunos para acompanhar o conteúdo on-line, a Seduc informou ao G1 que, duas semanas após a volta às aulas, os alunos do ensino médio passaram pela Avaliação de Verificação de Aprendizagem (AVAM), ferramenta que permitiu medir o nível de conhecimento adquirido durante o período de suspensão de aulas.
Após o diagnóstico, cada escola iniciou um planejamento pedagógico para atender às necessidades dos alunos que tiveram pouco ou nenhum acesso aos conteúdos do programa Aula em Casa.
Sobre a falta de professores citada pelos pais, a Seduc declarou que já adotou as providências para a imediata substituição dos docentes afastados ou que faltam, para assim garantir que não haja suspensão em qualquer das unidades escolares da rede estadual.
Questionada sobre conteúdo didático do 1º semestre, a secretaria afirma que não há atraso no cronograma, já que os conteúdos do programa Aula em Casa – que começou a ir ao ar no período da suspensão das aulas – contemplava o calendário escolar previsto para os meses em que houve paralisação das aulas presenciais.
Entretanto, a pasta informou que “sabendo que nem todos os alunos têm ou tiveram acesso aos conteúdos, a Secretaria de Educação disponibilizará o Guia do Estudante, que conta com os assuntos ministrados durante a suspensão das aulas”.
“Todos os alunos da rede, dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio vão receber o material de apoio.”
O ano letivo deve ir até 14 de dezembro.
A Prefeitura de Manaus decidiu manter o ensino remoto na rede municipal de ensino durante o segundo semestre do ano letivo, mas optou por abrir as escolas apenas para estudantes que não têm acesso à internet. A rede privada da capital foi a primeira do país a voltar com as aulas presenciais, no dia 6 de julho.
Fonte da noticia:
https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2020/09/10/manaus-completa-1-mes-de-reabertura-de-escolas-publicas-com-bons-exemplos-temor-e-desafios.ghtml
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